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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Lula - Biografia não autorizada... O pavor de uma vida pregressa!



Huascar Terra do Vale é ensaísta e advogado. Dedica-se a estudos nas áreas da filosofia, história, arqueologia, linguística, semântica geral, psicologia, psicanálise, cosmogonia, cosmologia, etologia e sociobiologia. É colunista do site Mídia sem Máscara. É autor das obras "Hino à Liberdade" e "Tratado de Economia Profana". Entre seu material inédito, constam as obras "Sociedade da Desconfiança", "Trincheiras do Iluminismo", "A Treatise on Profane Religion", "The Twilight of Gods" e "Jesus, from Abraham to Marx".
Site: www.geocities.com/Athens/Aegean/5301E-mail: huascar.bhz@terra.com.br

Lula - Uma Biografia Não Autorizada. Lula tem pavor que sua vida pregressa seja "passada a limpo"
Em breves dias os brasileiros teremos a oportunidade de escolher a quem entregar os destinos do País. Ou salvamos a Pátria ou a entregamos aos que confessaram que fazem política metendo a mão em "matéria fecal"! De um lado temos um político reconhecidamente honrado, Geraldo Alckmin, consagrado nas urnas pelo eleitorado de São Paulo, onde ganhou o primeiro turno contra Lula. Se fizer no Brasil o choque de gestão que fez em São Paulo sairemos do mar de lama e de incompetência com que o PT inundou a administração pública do País. Alckmin tem mais de trinta anos de experiência pública, como vereador, prefeito, deputado, duas vezes governador, sempre com sucesso, aprovação popular, grandes realizações e sem se envolver em corrupção, como aconteceu com o partido de seu adversário que, como diz a expressão popular, está "mais sujo que pau de galinheiro". Já Lula é chefe de um governo definido pelo Procurador Geral da República como uma "organização criminosa", que ainda se destaca pela demagogia populista com que seduz a opinião dos simplórios. Além de montar o maior esquema de corrupção de todos os tempos, apesar das cretinas promessas de "ética", o partido de Lula envolveu-se até em assassinatos, além do uso descarado da máquina pública com fins eleitoreiros, como o badalado programa bolsa esmola. Fascinados pelo mito criado pela propaganda, seus eleitores não percebem que ele dá migalhas a seus eleitores, para reduzi-los a pedintes eternos e eleitores de cabresto, porém, para os banqueiros, destina, por ano, cerca de 160 bilhões de reais. Só estes não têm o que queixar do governo Lula, pois nunca ganharam tanto dinheiro. E ainda há débeis mentais que acreditam que Lula só se preocupa com os "excluídos". Confiante na inocência e na burrice de seus eleitores, Lula tem a ousadia de falar em ética. Uma relação dos crimes cometidos por assistentes diretos e indiretos de Lula, desde a caixa dois, o mensalão, dólares na cueca, até o dossiê, ocuparia várias páginas e tem sido amplamente divulgada pela mídia e pela internet. Ele teve a ousadia de se comparar a Jesus, imprimindo na opinião pública a imagem paterna de um político bonzinho, que só se preocupa com os marginalizados da sociedade. Nada mais longe da verdade. Analisando sua biografia surpreendemo-nos com decisões que nada têm de santidade. Para começar, é impressionante a facilidade com que foram atirados às feras seus "companheiros", no assalto ao poder, desde Dirceu e Genoíno até os envolvidos no escândalo do "dossiê". A verdade, entretanto é que o cubano-brasileiro Dirceu, representante direto do moribundo Fidel, continua dando as cartas, em surdida. Evidentemente, se Lula ganhar, a quadrilha toda volta. Lula tem pavor que sua vida pregressa seja "passada a limpo". Quando foi entrevistado por Bóris Casoy, não admitiu que o jornalista fizesse perguntas sobre o Foro de São Paulo, por ele fundado, junto ao genocida Fidel Castro, com o objetivo de "recuperar na América Latina" o comunismo que fracassou no Leste Europeu. Mais tarde o PT conseguiu defenestrar Bóris Casoy da TV, pelo crime de falar a verdade! Sua biografia também tem sido sonegada à população, para não manchar sua imagem de santo, quase uma reencarnação de Jesus! Segundo reportagem amplamente documentada e ilustrada, publicada em 10 de março de 2003 pela Revista Época, ainda metalúrgico da Villares, em 1969 Lula casou-se com uma cândida mineirinha, na igreja, com véu, grinalda e direito a lua-de-mel em Poços de Caldas. Envolvido como sempre em greves e campanhas para incitar os operários a depredar as fábricas, esqueceu-se da suave Maria de Lourdes, dela só se lembrando quando comunicado de sua morte, como diria Lula, "por negligência da rede hospitalar". Desde então agia como se não tivesse nada a ver com a tragédia. Não sabia de nada, não estava nem aí, com a mulher grávida e em coma hepático no hospital. Com ela morreu também seu primeiro filho. Ela sofria de grave doença, mas os médicos, por falta de alguém que se interessasse por ela, diziam que se tratava de complicações da gravidez, que era assim mesmo etc...Este trauma deve ter tido grande influência em sua carreira, possivelmente fazendo com que perdesse certas qualidades de caráter e optasse pelo comunismo, o regime mais cruel que jamais existiu, responsável pelo genocídio de mais de cem milhões de vítimas, além de arruinar economicamente dezenas de países. Perdendo a sensibilidade, pretende implantar este regime no Brasil, sabendo que será um desastre, mas que ele e sua trupe se sairão bem, como acontece com a Nomenklatura de todos os países comunistas. Fenômeno semelhante aconteceu com Hítler. Apaixonado por sua sobrinha, porém muito possessivo e autoritário, por ocasião de uma viagem proibiu-a até de chegar à janela, tal era seu ciúme doentio. Quando voltou ela havia se suicidado, para livrar-se do demônio. Ele se vingou na humanidade. Lênin, um dos maiores genocidas da História, também passou por um trauma na juventude, ao assistir o enforcamento de seu irmãos, pela polícia do Czar. Ao assumir o poder, entregou-se a uma orgia de assassinatos, principalmente dos proprietários rurais, causando carestia e fome responsáveis pela morte de mais de dez milhões de compatriotas. Algo semelhante aconteceu com outro monstro, ainda de maior envergadura, Joseph Stálin. Em seus tempos de guerrilheiro e assaltante, apaixonou-se perdidamente. Entretanto, seus colegas de partido comunista decidiram, com sua anuência, que sua namorada deveria entregar-se a empresários e fazendeiros ricos, para conseguir fundos para o partido. Sabendo da concordância de seu namorado, ela preferiu suicidar-se. Mais tarde, a primeira esposa de Stálin também pôs termo à vida. Daí em diante, como confessou, uma morte seria uma tragédia, mas a morte de milhões apenas uma "estatística". Calcula-se que ele tenha torturado e matado cerca de sessenta milhões de pessoas. O horror dos gulags foi bem descrito por Soljenitsin no famoso "Arquipélago Gulag" e nas ilustrações do Coronel Baldalaiev. Em seus famosos expurgos, Stálin tirou a vida de praticamente todos seu antigos aliados, da mesma maneira que Lula tem expurgado, às mancheias, seus antigos companheiros, com a maior frieza. O que interessa é sua sobrevivência e a do projeto de comunização do País. Stálin, também um ditador teflon, cometeu os maiores crimes e, no entanto, ainda tem admiradores, como Lula, Fídel Castro, Hugo Chávez, etc. Poucos sabem que Stálin foi filho espúrio de um rico fazendeiro que, não querendo assumi-lo, contratou um sapateiro beberrão para criá-lo, como se seu pai fosse. Quando tinha 18 anos seu pai biológico foi assassinado e todas as suspeitas caíram sobre ele. Começou assim a carreira de um dos maiores serial killers do mundo, não obstante hoje emulado por todos os partidos de esquerda, como o PT, o PcdoB, o PDT, o PSOL, o PSTU, etc. A absoluta falta de ética de Lula, que se irradia pelo partido, é obra de um fanático obcecado pelo poder, que não conhece limites para atingir este objetivo. Mentir descaradamente, prometer aquilo que os eleitores desejam, explorar a boa fé dos pobres, comprar seus votos com o fruto de impostos escorchantes, para ele é tão ético que, com a maior cara de pau, declarou-se o homem mais ético do País! Aprendeu com Goebels, o Ministro da Propaganda de Hítler: quanto maior a mentira, maior a credibilidade. Quase 50% do eleitorado caiu em suas armadilhas, nele depositando seus votos, tão hipnotizados por sua catadupa de mentiras que não percebem que, em quatro anos de desmandos e de passeios em seu avião de ultra-luxo, Lula fez o pior governo de que temos notícia e tudo faz para alinhar o Brasil ao comunismo internacional, hoje liderado pelo boçal Hugo Chávez. No concerto das nações, o Brasil está na lanterninha, só na frente do Haiti, que é uma grande favela, destruída por outro comunista. O sucesso de que Lula tem se jactado não ocorreu por sua causa, mas apesar de toda a sabotagem que tem efetuado contra o Brasil, que se revela na subserviência que tem demonstrado para com Fidel Castro, Hugo Chávez e até para com o cocaleiro Evo Morales. Afinal de contas, Lula é presidente do Brasil ou do Foro de São Paulo? Votar em Lula é crime de lesa-pátria!
____________________________________________________________ Pensamento do dia (1): "Não dou esmola a um pobre que é são. Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão". De uma canção com letra de José Souza Dantas Filho.Pensamento do dia (2): "A lama soterrou a esperança". Jarbas passarinho, em artigo no Jornal do Grupo Inconfidência.
Data de Publicação: 12/10/2006

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Cardápio: Pizza de Lula

17/07/2009 - 17h43
Pizzaiolos exigem pedido de desculpas de Lula e Cristovam por ofensa à profissão
Publicidade da Folha Online

A Contratuh (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade) e o Sinthoresp (Sindicato dos Trabalhadores de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares) querem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva peça desculpas por usar de forma "pejorativa e depreciativa" a profissão de pizzaiolo.
O ofício foi protocolado nesta quinta-feira e inclui o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que também fez comparações incluindo os pizzaiolos.
Na última quarta-feira (15), questionado se a CPI da Petrobras acabaria "em pizza temperada com pré-sal", Lula criticou os senadores da oposição que trabalham para que a comissão parlamentar pegue fogo: "Todos eles são bons pizzaiolos".
Ao repercutir a declaração de Lula, Cristovam disse que se sentia "profundamente ofendido" ao ser chamado de pizzaiolo.
"O presidente Lula fez uma declaração infeliz, ao usar uma ocupação para ofender outros políticos. Posteriormente o senador Cristovam Buarque na ânsia de devolver a agressão minimizou a nada o artesão que confecciona a pizza", disse por meio de nota o vice-presidente da Contratuh e presidente do Sinthoresp, Francisco Calasans Lacerda.
Para as entidades, o pedido de desculpas mostraria humildade e maturidade política. "Espero que eles tenham o espírito democrático e reconheçam publicamente que cometeram um grave erro. Além de elegante, neste momento, seria a única coisa correta a ser feita", afirmou Calasans
Se o presidente e o senador não oficializarem o pedido de desculpas, as entidades pretendem convocar uma assembleia para decidir quais medidas serão tomadas.
"Nós temos obrigação moral e constitucional de defender a nossa classe. Caso ambos não peçam desculpas publicamente, nós reuniremos os nossos associados e em assembleia decidiremos o próximo passo. É preciso nos manifestarmos, para que os nossos trabalhadores não sejam nunca mais desvalorizados", disse Calasans.
Outro lado
O senador disse que acha "perfeitamente correto" as entidades exigirem o pedido de desculpas do presidente mas que ele não tem do que se desculpar.
"O presidente Lula é que deve se desculpar. Ele foi o primeiro usar a palavra pizzaiolo no sentido de quem manipula a informação e esconde a verdade. Eu usei a palavra no sentido que o presidente usou, e não menosprezando a profissão. Pra mim, pizzaiolo é quem faz pizza", afirmou.
O presidente ainda não se posicionou sobre o pedido das entidades.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Filho de peixe, peixinho é....




Matéria da Revista Veja de exatamente 4 anos atrás...e ninguem toca mais no assunto!

O negocião do Lulinha.

Como o filho do presidente se tornou sócio de uma gigante da telefonia sem tirar um único real do bolso.


OPERAÇÃO INTRINCADA - Metade dos 5 milhões de reais que a Telemar injetou na empresa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha e Kalil Bittar veio por meio de uma operação de emissão de debêntures (abaixo). Para especialistas, o grau de complexidade revelado na operação só tem uma justificativa: a Gamecorp e a Telemar não queriam que sua sociedade viesse a público.
Fábio Luís Lula da Silva, de 30 anos, um dos cinco filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, experimentava, até 2003, uma situação profissional parecida com a de muitos brasileiros: a do subemprego. Formado em biologia, Lulinha, como é chamado pelos amigos, fez alguns poucos trabalhos na área (como uma monitoria no Zoológico de São Paulo, por exemplo), todos com baixa ou nenhuma remuneração. Para ganhar a vida, dava aulas de inglês e informática. Em dezembro de 2003, essa situação mudou. Fábio Luís começou uma carreira numa área que nada tem a ver com drosófilas ou pteridófitas: a do milionário mercado das agências de publicidade. Atualmente, o primeiro filho do casal Lula e Marisa Letícia da Silva é sócio de três empresas que, além de prestar serviços de propaganda (pelo menos no papel), produzem um programa de games para TV. Somados, os capitais das empresas ultrapassam os 5 milhões de reais. Individualmente, de acordo com sua participação societária, Fábio Luís tem 625.000 reais em ações – mais do que os 422.000 reais que seu pai presidente amealhou ao longo de toda a vida, segundo a declaração de bens que apresentou em 2002 ao Tribunal Regional Eleitoral. Melhor que tudo: nessa fulgurante trajetória, Fábio não teve de investir um único real. O negócio foi bancado quase que integralmente pela Telemar, a maior companhia de telefonia do país. Com base em documentos obtidos em cartórios de São Paulo, e em entrevistas com profissionais do setor, VEJA reconstituiu a história empresarial que segue.
No fim de 2003, Fábio Luís abriu em São Paulo a G4 Entretenimento e Tecnologia Digital. Trata-se de uma companhia da área de publicidade e propaganda, que detém a licença para reproduzir o conteúdo do canal americano G4, especializado em games. O negócio foi feito em sociedade com os irmãos Kalil Bittar e Fernando Bittar, filhos de um velho amigo de Lula, Jacó Bittar. Para quem não se lembra, Bittar é um ex-prefeito de Campinas, no interior de São Paulo, que foi um, digamos, pioneiro no PT. Ele terminou o mandato em 1992 alvejado por denúncias de corrupção e atualmente responde a pelo menos oito processos na Justiça. A G4 nasceu pequena, com um capital social inicial de 100.000 reais. Fábio entrou com 50.000 reais e os Bittar, que já atuavam no mercado havia doze anos, com 25.000 reais cada um. Mas nenhum deles precisou tirar dinheiro do bolso para montar a sociedade. "Esse capital será integralizado ao longo do ano", disse Kalil Bittar a VEJA. Fábio, apesar de ser o sócio majoritário da G4, preferiu não dar entrevista. Bittar, perguntado sobre a função do sócio na empreitada, respondeu: "O Fábio detona nos games, conhece todos".
O que se viu a partir da criação da G4 foi uma surpreendente ascensão. Em outubro do ano passado, no espaço de dez meses, a G4 – associada a outra empresa que atua no setor de propaganda, a Espaço Digital – montou uma nova firma, a BR4, bem mais robusta e ambiciosa que a primeira. Descrita no contrato social como uma holding (ou seja, uma companhia que tem por finalidade deter participação acionária em outras empresas), a BR4 possui um capital de 2,7 milhões de reais. Esse valor foi integralizado, em moeda corrente, menos de dois meses após a formação da companhia. E com quem os sócios da G4 e da Espaço Digital conseguiram essa bolada para montar o negócio? Com a Telemar, que, embora a essa altura ainda não participasse da sociedade, brindou Fábio e sua turma com a dinheirama, a título de "exclusividade no fechamento do contrato", como explica Leonardo Badra Eid, da Espaço Digital.
O ânimo empreendedor do biólogo Fábio, do químico Kalil Bittar e do empresário Fernando Bittar (nenhum dos três estudou publicidade) não parou por aí. Em outubro do ano passado, o grupo criou uma outra empresa a partir da BR4, a Gamecorp Sociedade Anônima. Foi seu grande salto. Ao capital de 2,7 milhões de reais (o montante injetado pela Telemar, acrescido de 1 000 reais), o grupo colocou outros 2,5 milhões de reais, obtidos por meio de uma operação de emissão de debêntures. Esse tipo de operação é uma espécie de empréstimo que a companhia toma no mercado. Ela oferece os papéis com a promessa de pagamento de juros, após o resgate dos títulos, e investidores que considerarem o negócio interessante os adquirem (existe ainda a possibilidade de ninguém se interessar pelo negócio e os papéis encalharem). As debêntures podem ser de dois tipos: conversíveis em ações e não conversíveis. A diferença entre as duas é que as primeiras possibilitam àqueles que as adquirem ter, no futuro, participação acionária na empresa que emitiu os papéis. Foi o tipo escolhido pela companhia do filho de Lula. Em todo o processo, a Gamecorp contou com a assessoria do escritório de auditoria Trevisan Service – dirigido pelo consultor Antoninho Marmo Trevisan, amigão do presidente Lula.
Ao contrário do que se poderia esperar no caso de uma empresa recentemente constituída e desconhecida no mercado, a receptividade aos papéis da Gamecorp foi mais do que boa: foi sensacional. Segundo afirmam os sócios da companhia, pelo menos dois gigantes da telefonia disputaram as debêntures. No dia 6 de janeiro, elas foram adquiridas pela Telemar. No dia 31 do mesmo mês, ou seja, apenas 25 dias depois da aquisição das debêntures, a Telemar converteu os papéis em ações. Ou seja, tornou-se, dessa maneira, sócia da empresa do filho de Lula. Isso não é uma prática usual no mercado. Em geral, o período entre a emissão das debêntures e a decisão de convertê-las em ações é muito maior. O processo indica que a Telemar, desde o início, não tinha a intenção de "emprestar" dinheiro à Gamecorp, e sim tornar-se sua sócia. Ocorre que a empresa poderia ter obtido o mesmo resultado por meio de um caminho muitíssimo mais simples: comprando diretamente ações da Gamecorp. E por que não fez isso? Para responder a essa pergunta, VEJA ouviu três profissionais habituados a lidar com operações societárias de alta complexidade. Os três afirmaram a mesma coisa: o único motivo que explicaria a adoção de um processo tão intrincado seria a intenção de manter em sigilo o nome da Telemar na sociedade com a Gamecorp.
Alguns detalhes reforçam essa tese. O primeiro é o fato de que, embora toda a documentação referente à criação das empresas de Fábio seja pública e esteja registrada em cartório, justamente os papéis relativos à subscrição das debêntures – que tornariam possível a identificação do comprador dos títulos – estavam indisponíveis. Ficaram arquivados na sede da companhia. O segundo detalhe é mais curioso. Toda assinatura de contrato requer testemunhas. Por questões práticas, elas, muito freqüentemente, são arregimentadas ou entre pessoas que estão casualmente no local ou entre os próprios advogados das partes. No caso da assinatura do contrato que tornou a Telemar sócia da empresa do filho do presidente Lula, é evidente que houve um cuidado especial na escolha das testemunhas. Os escolhidos para presenciar o evento não foram nem desconhecidos nem advogados, mas duas funcionárias de extrema confiança do Eskenazi Pernidji Advogados, o escritório com sede no Rio de Janeiro que representou a Telemar. Simone de Oliveira Neto e Fabini Martins Bussi vieram do Rio para São Paulo especialmente para cumprir a tarefa. Fabini goza de tamanha confiança da parte de seus chefes que – embora sem posses aparentes e morando na cidade de Duque de Caxias, uma das mais pobres da região metropolitana do Rio de Janeiro – chegou a constar como diretora de uma off-shore com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, representada no Brasil por Sérgio Isidoro Eskenazi Pernidji, titular do escritório. É, sem dúvida, pessoa discretíssima.
Todos esses detalhes corroboram a tese dos especialistas ouvidos por VEJA: a de que não interessava nem à Gamecorp nem à Telemar que a nova sociedade fosse de conhecimento público. E por que razão quereriam os sócios manter a participação da telefonia em sigilo? Simples: a Telemar é uma companhia de mercado, mas tem dinheiro público na composição de seu capital – e não teria sido fácil explicar o investimento na empresa de um filho do presidente da República. Um dos principais acionistas da Telemar é o BNDES, com 25% do capital. Outros 19% pertencem a fundos de pensão, alguns deles de empresas públicas, como a Previ (caixa previdenciária dos funcionários do Banco do Brasil) e a Petros (ligada à Petrobras). Há ainda participação da Brasilcap e da Brasilveículos, companhias ligadas ao Banco do Brasil. Outro fator complica ainda mais a negociação: a Telemar é uma empresa concessionária de serviços públicos. Ou seja, suas operações dependem de concessão do governo federal. Companhias nessa condição têm sua relação com o governo regida por severas restrições. Elas também não podem fazer doações para campanhas de partidos políticos. Isso serve para evitar que futuros servidores públicos se sintam em dívida com elas. Sendo Lula o principal servidor público do país, configura, no mínimo, uma impropriedade que uma empresa concessionária de serviços públicos injete uma bolada de dinheiro na empresa de seu filho.
A Telemar, por meio de um executivo que pediu para não ser identificado, diz que só tomou conhecimento de que a Gamecorp pertencia ao filho do presidente "no dia da assinatura do contrato". A assessoria de imprensa da companhia de telefonia informa que, a exemplo do investimento feito na empresa de Fábio, realizou diversos outros em áreas afins, como a compra das rádios Oi. Reconhece, no entanto, que nenhum desses outros investimentos foi revestido de segredo ou envolveu subscrição de debêntures resultando em participação societária. Reconhece também que o negócio com a Gamecorp foi uma "operação diferenciada". É compreensível que uma empresa de telefonia se interesse em fazer investimentos que tragam como retorno a produção de conteúdo na área digital. Não é a especialidade da Gamecorp. A companhia não produz tecnologia, não cria jogos nem tem experiência nessa área.
Outra questão intrigante ronda as empresas ligadas a Fábio. Até dois anos atrás, a Espaço Digital – que formalmente não tem Fábio entre seus diretores, mas está associada à G4 na Gamecorp – ocupava o mesmo andar da agência de publicidade Matisse em um prédio de escritórios no bairro de Pinheiros, em São Paulo. A Matisse, que originalmente é de Campinas, terra dos irmãos Bittar, era uma empresa de pequeno porte até conquistar, para surpresa do mercado publicitário, a milionária conta da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica (Secom), ligada à Presidência da República. Só no ano passado, a Matisse recebeu 10,3 milhões de reais do governo federal. "Foi uma vizinhança meramente casual", diz Luiz Flávio Guimarães, diretor de produção da Matisse, denotando nervosismo. Ele afirma que, à exceção "de um trabalhinho insignificante para uma empresa privada", a Matisse nunca usou os serviços da Espaço Digital.
Não é a primeira vez que o envolvimento de filhos de presidentes da República com empresas públicas e privadas causa constrangimento. Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2000, chegou a ser investigado pela Abin em virtude de denúncias de que teria usado a influência do pai para beneficiar a empresa de gás industrial White Martins. A acusação se mostrou infundada, mas os hábitos de vida do filho de FHC – considerados incompatíveis com seus rendimentos –, sua passagem como diretor de uma ONG sustentada por empresas públicas e privadas e seu trânsito fácil por Brasília deixaram um mal-estar no ar. Em 2003, os americanos experimentaram sensação semelhante diante da notícia de que Chelsea Clinton, filha do já ex-presidente Bill Clinton, havia sido contratada pelo escritório McKinsey, especializado em consultoria econômica para empresas, por um salário anual inicial de 100.000 dólares.
Fábio Luís e os irmãos Bittar são amigos de infância. Pessoas próximas ao grupo contam que quem comanda de fato os negócios das empresas é Kalil Bittar. Com 43 anos, Kalil é visto freqüentemente na ponte aérea São Paulo–Brasília. O filho de Lula tem o perfil discreto. Torcedor do Corinthians, aficionado de histórias em quadrinhos e videogames, ele tem dois programas prediletos no fim de semana: passear no shopping com a namorada e jogar futebol. A essa rotina banal somam-se agora as tarefas de um empresário bem-sucedido, sócio de uma empresa do porte da Telemar, que, com um faturamento de 18 bilhões de reais no ano passado, possui bala suficiente para patrocinar para seus sócios mirins viagens para os Estados Unidos, a Coréia e o Japão. Em 2005, Fábio e o sócio Kalil Bittar visitaram esses países com as despesas pagas pela companhia de telefonia. A viagem ocorreu no mesmo período em que o presidente Lula estava em viagem oficial ao Japão e à Coréia. O objetivo era levar Fábio e Kalil para conhecer companhias que trabalham com a produção de games para celular e ainda a tecnologia de celulares de terceira geração.
Histórias de sucesso instantâneo no mercado eletrônico não são raras. Em 1996, o jovem Marcos de Moraes – filho do ex-rei da soja Olacyr de Moraes – criou o portal de internet Zip.Net. O negócio deu tão certo que, quatro anos depois, Moraes vendeu o portal por 365 milhões de dólares a uma empresa do grupo Portugal Telecom. Foi uma das maiores transações da internet brasileira. Sempre se pode dizer que o sucesso de Fábio e seus amigos é mais um desses milagres produzidos pela era digital. É possível. O fato de essa história ter tido uma mãozinha – ou melhor, uma mãozona – de uma empresa movida (inclusive) a dinheiro público, no entanto, é suficiente para arranhar o talento que, ninguém duvida, tanto Fábio quanto seus amigos têm de sobra.
Veja também: Quadro -
A Telemar é uma mãe para o filho de Lula
Fonte: Rev. Veja, , Ed. n. 1913, 13/07/2005. Marcelo Carneiro, Juliana Linhares e Thaís Oyama.
Com reportagem de André Rizek, Camila Pereira, Roberta Salomone e Victor Martino
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Satiagraha, Mensalão, Oi Telemar, Petrobrás etc, etc


Ou a democracia reage agora ou estado policial do PT toma conta do País. Desde o primeiro instante desconfiei que a participação intensiva e ostensiva da ABIN - Agência Brasileira de Inteligência - comandada pelo Homem que instituiu as operações espetaculosas da PF, delegado Paulo Lacerda, tinha algo de estranho. Agora com a revelação de que as ordens vinham do gabinete do Lula é fácil compreender como todas a estrutura da Abin foi mobilizada.
Essa investigação parece apenas o pano de fundo para o governo violar direitos constitucionais e invadir a vida de adversários com a intenção de levantar material para uso político contra os adversários e aliados incômodos. O PT já provou que a sua natureza é autoritária. Ele está disposto a tudo para instalar a hegemonia lulo-petista no Brasil. O mensalão não era uma ação apenas temporária de compra votos no congresso, mas o começo de uma operação autoritária de longo prazo. Falhou e eles continuam tentando outras alternativas como o Dossie fajuto como Serra na eleição de 2006, agora usam esse delegado maluco para seguir tentando minar clandestinamente a Democracia. Sobre o olhar complacente da maioria da imprensa, exceção a Revista Veja que nunca se omitiu de investigar e ser "os olhos e ouvidos da sociedade".
A se constatar indícios concretos que se trata mesmo de uma operação Planaltina, a oposição não pode repetir a tímida atuação durante o mensalão, porque o PT não temerá apelar a coisas muitos pesadas para matar a oposição e o Estado Direito. Tem que ir fundo na investigação desse senhor Paulo Lacerda, ele é evidente o homem do Lula para concretização desse tipo de tarefa feita as escuras.
As oposições tem que ter firmeza e a ousadia para avançar nessa investigação e ao descobrir provas contra o governo não podem titubear em pedir o impeachment do presidente da Republica, como vacilaram em fazer em 2005. O presidente como vimos no estouro do mensalão é um covarde, na época se escondeu como um Tatu dentro do Palácio do Planalto, mas acabou virando o jogo diante da omissão de um país inteiro- imprensa, sociedade civil, oposições, OAB... Usar a força nesse caso é aplicar todo o poder legítimo da democracia para combater uma ameaça a ela própria. A propósito agir firme em legitima defesa é parte inerente do próprio sistema, assim como agir contra ela é inerente ao camadas em qualquer lugar do planeta. A democracia precisa mostrar sua força e não ser pacificamente ingênua para relevar mais esta ameaça.
Lula não é gênio nenhum de nada é apenas um esperto que sempre usou de toda malandragem e não a honestidade e transparência dos grandes líderes que fizeram a história como Abraham Lincoln e outros. Lula só quem é porque o Brasil é quem é. Ele sempre foi um Camaleão que se adaptou a situação e sempre se beneficiou da omissão geral da sociedade que se deixou enganar pela história do metalúrgico. Seu exemplo não é de superação pessoal mas de malandragem vitoriosa. Lula dizem nunca entrou em bola divida, aprovou métodos clandestinos e marginais que o PT sempre recorreu para crescer. Não, não é preciso nem chegar a morte de Celso Daniel, não é mesmo meus caros petistas?, existem milhares de iniciativas nas prefeituras que foram idealizadas pelo partido e que desde o início mostraram quem são vocês. É só lembrar os escandá-los do lixo nas diversas prefeituras governadas pelo PT, ainda quando todo mundo imagina se tratar um partido da ética. Ah, era sim de uma ética própria: vale tudo e tudo é permitido, ao partido que tem chave do céu, não é mesmo?
Lula é o PT não vieram para mudar porque sempre souberam se adptar a velha cultura para lhe tomar o lugar.
Extraido do Blog de Leonardo Barros.

O Império da Malandragem


O Império da Malandragem


A imagem do "toc toc toc" para as vítimas do desastre de Congonhas não me sai da cabeça, e com certeza também não sai da cabeça de muita gente, embora os comentários tenham sido escassos. Para mim, a cena tem um ar de dejà-vu ao contrário. Explico: não é algo que eu já houvesse antes presenciado em autoridades de Estado - nunca antes vira tal coisa - mas é nítida a sensação de que a tomada estava programada em um script para um futuro próximo, e de certa forma correspondia aos nossos desejos secretos; não foi uma ocorrência fortuita, é isso o que eu quero dizer. Em meio ao silêncio constrangido daqueles que por anos a fio acreditaram piamente que o PT era o sopro de renovação que finalmente romperia com o arcaísmo de nossas práticas políticas, a realidade cai pesadamente. E a realidade é que o estado foi tomado por uma corja que veio de baixo, que hoje se refestela no poder com a mesma desfaçatez com que o rato da cidade, aquele do conto infantil, se refestelava nas sobras do banquete dos donos da mansão, e ainda convidava seu primo pobre do campo para impressioná-lo. Acompanhando o pessimismo quanto ao futuro, vem uma sensação de perda. Não se trata do lamento por perder alguma coisa de que se gostava, refiro-me à sensação da perda em si, a angústia do irrevogável. Não faz muito tempo, as cadeiras do poder eram ocupadas por uma trupe de caciques que pareciam saídos de novelas da Globo, daquelas ambientadas no nordeste dos "coronér". Hoje, o ostracismo em que morreu ACM é emblemático dos novos tempos. Não que eu esteja com saudades desta gente. Os velhos oligarcas, cevados no servilismo de seu eleitorado cativo, sempre manifestaram infinita arrogância, mas também não lhes faltava a compostura própria de quem está ciente de ser "otoridade". Diga-se de ACM o que se disser, a verdade é que não consigo imaginá-lo protagonizando uma cena tão vulgar quanto aquele "toc toc toc".
Pois se os antigos eram cevados no servilismo dos hábitos patriarcais, os novos foram cevados nos mimos da mídia, que sempre os apresentou como a facção boa e genuína de nossa gente, guardiã da ética e dos nobres ideais, predestinada a suplantar a malvada "zelite" e colocar o povo no poder. Como acabei de dizer, nada do que está acontecendo é fortuito, tampouco surpreendente. O Lula que está no poder representa nada mais que a materialização de nosso antigo ódio à elite e apreço pelo popular. Só que, em nosso imaginário, nenhum ícone popular é mais representativo de nossa identidade do que a figura do malandro-esperto. Ou alguém aí jamais ouviu falar em Macunaíma e no jeitinho brasileiro? Lula é precisamente isto: um malandro, na mais genuína acepção do termo. Como todo bom malandro, Lula há muito ganha a vida sem trabalhar - já era assim quando sindicalista profissional, e como político não administrou sequer uma prefeitura do interior, sem falar na aposentadoria precoce como anistiado político, por haver passado 45 dias preso em uma sala sem grades na Polícia Federal.
Como todo malandro, Lula é bem apessoado, veste-se com apuro e representa ser o que não é. Como todo malandro, é bem falante e sempre tem resposta para tudo - não cola, mas ele tem. Como todo malandro, sabe mentir com distinção. Como todo malandro, ele acoberta as falcatruas dos asseclas, mas não hesita em entregar o pescoço deles se necessário for para salvar seu próprio pescoço. E sobretudo, como todo malandro, Lula tem uma irresistível empatia com o povão, que com ele se identifica inequivocamente.
Enfim é isso, realizamos nosso sonho: colocar o povo no poder. Digo "nós" porque a classe média, à qual pertenço, sempre foi a primeira a apoiar Lula, nele votando maciçamente em todas as eleições que ele perdeu. Classe média que só agora começa a abandoná-lo, quando ele não mais dela necessita, pois a custa de esmolas angariou o apoio da fatia mais pobre e numerosa do eleitorado, aquela que antes apoiava ACM, Maluf e Jader Barbalho quando eram esses senhores que estavam com a chave do cofre. Agora que está feito, resta perguntar: por que fizemos isso?
A verdade é que confundimos o ator com o personagem. O Lula que entrou para a política jamais foi ou quis ser um estadista: em 1979, ele era, isto sim, um extremamente bem-sucedido sindicalista profissional. Na realidade, Lula foi um subproduto não-planejado do regime militar. Como muitos hão de se recordar, até 1964 a máquina sindical montada por Vargas era loteada entre os partidos de esquerda da mesma forma como os bicheiros loteavam as esquinas: uns sindicatos "pertenciam" ao PTB, outros eram do PCB, e assim por diante. Os militares cassaram a pelegada, mas mantiveram a legislação varguista, e desta forma abriram espaço para o surgimento de uma nova geração de dirigentes sindicais, nos mesmos moldes que os antigos, mas - estes sim - oriundos dos trabalhadores. O operário Luís Inácio foi um dos escolhidos. Com a liberalização do regime ao final dos anos setenta e o aumento do poder de barganha dos operários metalúrgicos, categoria que mais havia crescido com a industrialização promovida desde JK, a demanda reprimida de reivindicações explodiu em greves, que Lula soube comandar com habilidade de líder e negociador. Tendo obtido as primeiras vitórias dos trabalhadores desde 1964, Lula tornou-se um herói para as esquerdas que começavam a se reagrupar, recém-retornadas ao país após a anistia: aparecia, enfim, um operário genuíno, pronto a canalizar o apoio das massas trabalhadoras ao recém-fundado Partido dos Trabalhadores, que apesar do nome não tinha trabalhador nenhum, só estudantes, intelectuais universitários, padres e ex-guerrilheiros anistiados, quase todos oriundos da pequena burguesia. Esse pessoal não percebeu que a razão do sucesso de Lula era justamente ele conduzir uma luta isenta de ideologia, pragmática e voltada à obtenção de ganhos para aquela categoria que já pontificava como "a aristocracia do proletariado". Data daí o fim da carreira do sindicalista profissional e o início da carreira do militante profissional, designação que lhe é bem apropriada, pois o Lula-político jamais administrou sequer uma prefeitura do interior, teve um mandato de deputado federal do qual não se conhece um único projeto apresentado, e todo o resto do tempo não fez outra coisa além de representar o papel do trabalhador que legitimava o partido que se intitulava "dos trabalhadores".
Ganha a eleição, Lula passa a representar outro papel, o de presidente da república. Viaja, discursa, parece um candidato em eterna campanha, mas dele não se conhece rotina administrativa: não realiza sequer reuniões de ministério, mesmo porque não há mesa no palácio onde caibam os mais de 35 ministros. Foi nesse ator que votamos, ou antes, no personagem que ele representava, mas quem toma posse não é o personagem, é o homem. Lula nos enganou? Bem, mas nós quisemos ser enganados. Desde o início os petistas procuraram erigir em torno de sua tosca figura um ícone de grande impacto simbólico, o homem do povo que vem derrotar as elites. Ironicamente, conseguiram criar um ícone ainda mais impactante para o imaginário popular, o malandro-esperto, aquele que se deu bem. Se eles pretendiam colocar no poder um líder revolucionário, quem subiu ao poder foi um malandro, e é sob o império dessa malandragem que viveremos até sabe-deus-lá-quando. Mas afinal, nós não idolatramos há décadas a figura do malandro, não a apontamos sempre como coisa muito nossa, verdadeiro emblema da autenticidade popular? Já dizia o ditado, nunca deseje demais alguma coisa, você corre o risco de obter o que deseja.

Extraida de Pedro Mundim (www.pedromundin.net)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

LULA JÁ CHAMOU SARNEY DE LADRÃO E IMPOSTOR

Por: johncutrimjp 17 de junho de 2009

O discurso do presidente Lula em relação ao Congresso mudou à medida que o petista trocou a oposição pelo governo. Em 1993 ele declarou que, “de todos os deputados no Congresso, pelo menos 300 são picaretas”.

Repetiu a crítica em 1994 (”Aquilo que eu falei de 300 é um pouco mais”) e 1998 (”Uma vez falei que havia uns 300 picaretas no Congresso, mas a coisa só piorou”).

Em 2002, com a vitória à vista, a retórica mudou.

Aceitou o apoio do senador José Sarney, a quem havia chamado de “grileiro”, em 1986 (”Sarney não vai fazer reforma agrária coisa nenhuma, porque ele é grileiro no Estado do Maranhão”), de “ladrão”, em 1987 (”Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrões, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República”) e de “impostor”, também no mesmo ano (”Sarney é um impostor que chegou à Presidência assaltando o poder”).
Na sua campanha à reeleição, Lula fez uma autocrítica: “Eu me dei conta de quantas vezes nós cometemos injustiças contra pessoas… Uma coisa eu tenho tranquilidade, Sarney: nunca lhe ofendi”.
Isso é o mais perfeito retrato de que desta vez, realmente, Lula mudou: ou perdeu a vergonha que um dia já teve, quando atuava no movimento sindicalista contra as forças oligárquicas do nordeste; ou se tornou refém do político mais maquiavélico, atrasado e chantagista do país.
Clique no vídeo acima e veja o que Lula dizia de Sarney

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Ingênuo ou esperto demais ??? Só Freud explica.

Pseudocracia e desculpas presidenciais (Correio Popular - Opinião - 16/8/2005)
Roberto Romano

O Dicionário Houaiss explica a palavra “desculpa”: ato ou efeito de desculpar(-se), clemência para com falta cometida; perdão, razão ou motivo alegado por alguém para desculpar a si mesmo ou a outrem; justificativa, motivo invocado como subterfúgio; pretexto. Como “subterfugio”, a palavra possui sinônimos: ambages, conversa, efúgio, escapadela, escaparate, escapatória, escapula, escusa, evasão, evasiva, fuga, história, rodeio, tergiversação, torcedura, torcimento. O presidente tenta carambolar a Nação, busca um habeas corpus preventivo que o livre de falar a verdade. Ouvimos do eterno sindicalista, hoje só apoiado pelos aduladores pagos ou pelegos, a costumeira “auto-crítica dos outros”. Sua fala é pseudocrática, baseada na mentira. Mentira o “Lulinha paz e amor”, mentira o magistrado desprovido de saberes sobre seu próprio governo e partido.
“Os que fabricam engodos podem ser chamados maquinadores, fabricantes, impostores. Quem, deliberadamente conduzido ao engano, encontra-se enredado numa construção ou fabricação, pode ser dito inocentão, primo, ingênuo, tonto, bocó, boneco, vítima”. As frases foram extraídas de um artigo cruel, “La mentira como efecto de sentido” incluído em coletânea oportuna: El Discurso de la Mentira (editado por Carlos Castilla, Madrid, Alianza Universidade). Com o aranzel presidencial temos a divisão entre espertos e idiotas. Ele se imagina esperto e nos julga idiotas. Na sua fala instala-se, gloriosa, a mentira.
Mentir pode ser necessário. Platão diz que o médico tem direito de mentir ao doente para eludir o desespero, pois ninguém conhece a força regenerativa do corpo humano. Não dizer a “verdade” significa deixar que a natureza opere possível cura. Se o doente morre, foram-lhe poupados terrores sombrios. Como o médico, adianta Platão, o governante pode mentir tendo em vista proteger a cidade dos inimigos externos com seus espiões etc. Tal “direito” dura até hoje, mesmo que a democracia o recuse. A chamada “razão de Estado” é uma arte de utilizar a mentira e o segredo, de modo a enganar os cidadãos e os estrangeiros para o “bem da pátria”. Frederico da Prussia chegou a colocar o tema em concurso na Academia de Berlim (1778). A questão, respondida com seriedade por muitos cérebros brilhantes: “É útil enganar o povo?”. Hegel responde ao quesito mais tarde, nas Lições sobre a Filosofia do Direito (1821), no parágrafo 317: “Um povo não se deixa enganar quando se trata de seu fundamento substancial, sua essência e o caráter determinado de seu espírito. Ele pode se enganar no modo pelo qual conhece aquele fundamento, na maneira pela qual ele julga seus atos e acontecimentos de sua história, ele engana a si mesmo”. Digamos em termos simples: o mentiroso no poder só consegue atingir seu objetivo se o povo aceita a mentira como algo que lhe cabe. O sucesso na peta exige adesão prévia. No caso das repetidas mentiras ditas por Lula e pela sua tropa de choque não ocorre a cláusula de Hegel: o povo brasileiro não engole o engodo e não cai mais na esparrela de confiar no PT. Este, se formos analisar a atuação e os enunciados de Genoino, Delúbio, Silvio Lando Rover, Paulo Pimenta e tutti quanti é conhecido merecidamente como o Partido da Trapaça.
Todos se recordam do Poderoso Chefão, magistral painel das misérias humanas dirigido por Coppola. Numa das cenas, certo mafioso preso promete abrir a boca e “contar tudo” à CPI do Congresso Norte-Americano. Os antigos parceiros trazem seu irmão mais velho que se apresenta, silente, entre os observadores da CPI. Pouco antes, um conselheiro dos bandidos promete ao salafrário que, uma vez calado o seu bico, a família receberá ajuda material. O penitente delator cala, diz nada saber etc. O comportamento dos petistas nas CPIs brasileiras segue o paradigma mafioso, ou o modelo da Conceição cantada por Cauby Peixoto: “Ninguém sabe, ninguém viu”. Agora, o chefe da turma usa recurso igual. Ele nunca soube, nunca viu, nunca ouviu, nunca cheirou, nunca tocou os dejetos produzidos por seus amigos e parceiros de muitos e muitos anos. E diz ter sido enganado, mas não fala os nomes dos espertos. Ou é tolo ou esperto em demasia. E sua esperteza foi reconhecida imediatamente pelos contribuintes. O fedor de Waldomiro Diniz, de seu patrão e amigo, mais a fedendita da cúpula petista hoje arriada do poder, se espraiou pelo País todo. Singular entupimento dos cinco sentidos presidenciais! Não aceitemos desculpas. Inclusive a tese de João Sayad deste sábado (Folha, 14/8/2005): “Instituições políticas e democracia dependem de mentiras”. Existem mentiras toscas e mentiras convenientes. A de Sayad busca salvar os seus amigos petistas. A ela voltarei. Se a oposição teme (o que é um erro tático e estratégico) aprofundar a cobrança da responsabilidade presidencial, deve exigir as confissões de seus subornidados, pois todos sabem que os poderosos chefões sempre agem ao modo exibido por Coppola: eles ficam impunes e seus auxiliares seguem, mudos, para a morte. E o povo brasileiro está farto de saber: com Delúbios ou sem Delúbios, todos eles são o Lula.

Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp, escreve às terças-feiras.